Enviar as crianças de volta às escolas para salvar a economia?

Os países europeus discutem o assunto enquanto as famílias portugueses mostram-se indecisas 

Algumas semanas antes do início do novo ano letivo, os pais partilham as suas opiniões sobre o regresso às escolas e as suas dificuldades se as instituições de ensino não reabrirem devido à pandemia de Covid-19. Apenas 44% dos pais entrevistados pela Yoopies – plataforma internacional que permite conciliar a procura e a oferta de cuidados infantis e serviços domésticos – esperam que os seus filhos possam regressar à escola no futuro próximo – 56% temem uma segunda vaga da doença e estão preocupados com a segurança dos seus filhos e com o bem-estar geral da família. Dos pais europeus que participaram da pesquisa, os portugueses são os únicos que demonstram maior preocupação com a volta às aulas, a percentagem de pais que querem que as escolas reabram é a seguinte: França: 78%, Lituânia: 77%, Reino Unido: 76%, Itália 63% e Espanha 59%.

Os pais que trabalham a tempo inteiro são os mais propensos a apoiar o regresso às aulas 

Entre os pais entrevistados pela Yoopies que afirmam apoiar a decisão do governo de levar as crianças de volta à escola em Setembro da forma tradicional, 60% dos pais trabalham a tempo inteiro, 25% trabalham a tempo parcial e 15% não trabalham. Em geral, apesar do protocolo rigoroso de medidas anti-Covid-19 que devem ser respeitadas e apesar do medo de um possível contágio ou segunda vaga, o regresso às escolas é considerado fundamental para o reinício de uma vida “normal” para toda a família – para que os pais possam concentrar-se no trabalho e para que as crianças e os jovens possam reintegrar-se num contexto social e educativo que é fundamental para o seu crescimento. Um número importante diz respeito à viagem casa-escola, que será feita de carro por 52,5% dos inquiridos, a pé, de bicicleta ou scooter por 22,5%; e 25% utilizarão transportes públicos

A ausência das escolas em Setembro pode comprometer o trabalho dos adultos?

Se o número de casos Covid-19 aumentasse, a reabertura das instalações escolares não seria garantida e o ensino à distância continuaria a ser a única opção para retomar as aulas e continuar com os planos de formação. Se isto acontecer, como irão os pais gerir e organizar as suas agendas? Embora 73,3% dos pais admitem que a rotina se torna complicada quando precisam de trabalhar a partir de casa e cuidar dos seus filhos ao mesmo tempo, os pais portugueses também demonstram ser flexíveis quanto às possibilidades de teletrabalho ou de trabalho a tempo parcial. 

De acordo com o inquérito Yoopies, 81% dizem que um dois pais podem ficar em casa com os seus filhos se as escolas voltarem a fechar, enquanto que 19% dizem que nenhum dos pais (ou progenitores individuais) tem a possibilidade de ficar em casa com os seus filhos.  A escolha destas famílias seria portanto entre a interrupção do trabalho (desemprego ou licença sem vencimento para aqueles que estão empregados), o apoio de membros da família, especialmente dos avós, e eventualmente a contratação de uma ama ou babysitter a tempo inteiro, o que afetaria negativamente a estabilidade económica de muitas famílias.

  • “Malabarismo com turnos, teletrabalho, ajuda das avós e contratação de alguém de necessário, tudo com música de circo ao fundo”. 
  • “Terei de encontrar uma baby-sitter porque não temos qualquer outra ajuda”.
  • “Ficar novamente em casa e continuar a viver limitado às minhas paredes. E continuar com a terapia, porque é necessário, em tempos como estes, para não acabar maluca”. 
  • “Vou pedir à avó para ficar com a sua neta. Ou terei de tirar uma licença sem remuneração”. 
  • “Terei de arranjar uma babysitter, o que causaria danos financeiros consideráveis, uma vez que sou solteira”.
  • “Ficarei em casa com as crianças, mas não farei o meu melhor para as ajudar no ensino à distância. É demasiado stressante para mim”.
  • “Vou ter de me revezar com o meu marido. Somos ambos trabalhadores por conta própria e podemos trabalhar a partir de casa. Mas, com uma criança, temos de repetir o que fizemos no confinamento: trabalhar dias alternados e durante a noite”.
  • “Sinceramente, continuo a achar que não é seguro para as crianças estarem juntas em grande número porque não conseguirão manter-se afastadas umas das outras”. 
  • “Volto a ser professora mãe, mas penso que desta vez vou pedir ajuda a um especialista/professor em casa, porque os professores oficiais nada mais fizeram do que enviar e-mails”.

Reintegrar as crianças novamente nas escolas: um consenso claro em quase todos os países europeus 

O inquérito da Yoopies foi realizado em vários países europeus e verificou-se que apesar do aumento de casos em toda a Europa, a maioria dos pais quer mandar os seus filhos de volta às escolas em Setembro – a excepção de Portugal. A percentagem de pais que desejam a reabertura das escolas é a seguinte: França: 78%, Lituânia: 77%, Reino Unido: 76%, Itália 63% e Espanha 59%

👉 Aceda aqui ao infográfico completo

Sobre a Yoopies: Criada em 2012 por Benjamin Suchar e Jessica Cymerman, a Yoopies rapidamente tornou-se a principal plataforma de acolhimento infantil da Europa. Sediada em Paris e presente em 19 países, a start-up expandiu suas atividades de modo a incluir os serviços de limpeza, apoio domiciliário a idosos e pessoas dependentes, pet sitting e apoio escolar. Com base na recomendação social de mais de 3 milhões de membros, a Yoopies permite que os seus usuários escolham o seu funcionário com total confiança. A Yoopies também disponibiliza uma oferta corporativa, a YoopiesAtWork, que permite às empresas oferecer uma ajuda concreta diante dos desafios domésticos enfrentados diariamente e assim, melhorar o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal dos seus colaboradores.